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A frenética busca pela corrida perfeita

A frenética busca pela corrida perfeita

Você já se deparou com algum atleta que sonha em ter uma corrida perfeita e lhe pediu para fazer educativos, que você corrija sua corrida, que prioriza um treinador presencial ao invés de um treinador “à distância”, justamente para poder ter esta correção dos movimentos? Então, aposto que você não é a minoria dos treinadores que vivem este dilema.

É inegável que é bonito ver um corredor com passadas largas, tronco projeto a frente, alta frequência de passos, baixo tempo de contato com o chão, apoio de antepé, oscilação vertical precisa, movimentos de braços sincronizados com os movimentos das pernas, quadril, tornozelo e joelhos firmes e estáveis quando o pé toca no chão, enfrentar altas velocidades por um longo período de tempo com plasticidade e manutenção do padrão do movimento e com sorriso no rosto.

Se fosse fácil apenas com correção, filmagem e orientações colocar seu atleta a correr “perfeitamente” e batendo todos os RP’s, talvez o criador deste método seria muito famoso e milionário e, todos nós, estaríamos replicando sua metodologia.

Sinto informá-los que ainda não existe um livro, um manual, ou uma metodologia, pois ao contrário do que muitos pensam, este conceito de corrida perfeita não existe.

Precisamos parar de perder tempo com isso e orientar nossos atletas a tornar seu gesto motor mais econômico e otimizado, de acordo com suas potencialidades e características físicas (genéticas), ou seja, a sua própria corrida perfeita. Temos exemplos claros de grandes atletas que estão longe da corrida (técnica) perfeita, não é mesmo?! Copiar a corrida perfeita dos outros, seria um verdadeiro erro, e abriria uma grande janela para lesões, além de possíveis frustrações por nunca alcançar aquela “técnica” desejada.

Nós, treinadores capacitados, buscamos na literatura fundamentação para nosso trabalho. Existem diversos artigos científicos sobre a influência de variáveis biomecânicas na performance da corrida que convergem para alguns parâmetros ótimos (que devemos mirá-los) de tempo de contato com o solo, cadência e amplitude de passos, oscilação vertical, movimentação dos braços, inclinação do tronco, ângulo de saída do pé do solo, extensão e flexão de joelhos, pressão plantar, etc... Mesmo com tantas variáveis “ótimas”, existem muitos outros fatores que merecem atenção especial e que serão fatores limitantes, ou potencializadores de resultados com relação direta, indireta, ou contraditória, principalmente para quem começa o esporte na fase adulta, ou terceira idade. Seguem alguns deles:

  1. Características físicas e genéticas, como peso e altura, comprimento de membros, característica de fibras musculares, flexibilidade, parâmetros fisiológicos (VO2, comportamento da frequência cardíaca), entre outros.
  2. Repertório de movimentos (experiências prévias), como as vivências esportivas na infância e a manutenção, ou não, de atividade física ao longo dos anos.
  3. Histórico de lesões, como alguma possível lesão decorrente da prática de outras atividades, como o futebol, cotidiana, como o trabalho e até mesmo congênita.
  4. Regularidade e qualidade de treino, como a frequência semanal, bom planejamento de treinos, evitando-se erros de treinamento (subir o volume desenfreadamente, não modular corretamente intensidades), fortalecimento muscular, entre outros.
  5. Tempo de treino, neste caso, os meses e anos de prática regular da modalidade.
  6. Objetivos, sejam eles competitivos, recreacionais, entre outros.

Foto de RUN 4 FFWPU no Pexels

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Esporte & Movimento
Rodrigo Lobo
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Bacharel em Educação Física EEFE-USP Diretor e treinador da Lobo Assessoria Esportiva Corredor e Triatleta há mais de 20 anos. Palestrante de temas relacionados à saúde, qualidade de vida, corrida de rua e triathlon. CREF: 051186-G/SP

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