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A importância do brincar para a atividade física na 3ª idade

A importância do brincar para a atividade física na 3ª idade

Se você pensa que brincar e se divertir é “coisa de criança”, saiba que está muito enganado! O ato de brincar deve ser preservado durante toda nossa vida e, especialmente na 3ª idade (pessoas com 60 anos ou mais), brincadeiras, jogos e demais atividades lúdicas são capazes de ser grandes aliadas na manutenção da prática de atividade física para a chamada “melhor idade”.

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Mas primeiramente, o que significa envelhecer?

O envelhecimento se refere a uma série de transformações biológicas, psicológicas e sociais decorrentes do transcorrer dos anos de vida do ser humano, implicando em cuidados específicos para com a saúde global destas pessoas (os idosos).

Com isso, esse público necessita maior atenção por parte da família e dos sistemas de saúde como um todo, demandando a atuação de profissionais das mais diversas áreas do campo da saúde, seja em locais de caráter público (em UBSs, hospitais, parques ou em programas de políticas pública) ou particular (em academias, clubes, condomínios, etc). E claro, a Educação Física, em conjunto com as demais áreas, tem muito a contribuir para tal.

A prática regular de atividade física para a população idosa ajuda no fortalecimento da musculatura esquelética e reduz a perda do tecido ósseo, auxiliando na preservação das funções motoras do indivíduo e, consequentemente, na sua autonomia enquanto pessoa, seu bem-estar, sua qualidade de vida.

Porém, assim como para o restante da população, manter uma prática regular de atividade física é também um desafio para os idosos e cabe a nós, como profissionais da área, encontrarmos possibilidades para solucionarmos este problema.

É aí que entram as brincadeiras, jogos... enfim, as atividades orientadas ao lúdico.

Toda e qualquer atividade física pode se apresentar com um caráter lúdico. Mas especialmente as brincadeiras e jogos infantis trazem à tona tal característica, porque o fim em si é o próprio brincar, se divertir.

Como profissionais, devemos alinhar a possibilidade de promover práticas de atividade física orientada para a população idosa com a utilização de tais práticas orientadas ao lúdico, buscando a adesão e permanência das pessoas idosas ao programa de atividade física. E opções não faltam para fazê-lo da melhor forma!

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Queimada e pique-bandeira são dois jogos marcantes da nossa infância que, mesmo com pequenas mudanças ao longo do tempo, se perpetuam desde a geração das nossas avós e avôs, bisavós e bisavôs... São jogos que exigem a movimentação constante dos jogadores, propiciando ganhos no condicionamento físico dos idosos, além de trabalhar a coordenação motora, devido a antecipação de movimentos necessários ao jogo.

Ainda no caso da queimada, com o arremesso da bola, estimula o uso da força. Mas atenção: é importante termos claro que o ritmo dos dois jogos para os idosos tende a ser mais lento, e assim o deve ser, pelas suas limitações físicas. O que vale é a diversão, que indiretamente estará favorecendo benefícios físicos e cognitivos, além de sociais, pois ao interagir com os outros idosos, criando vínculos entre si, estimula sua continuidade no grupo.

As cantigas de roda também são ótimas possibilidades para o uso com grupos de idosos. Elas estimulam a memória e resgatam fatos ou situações que foram marcantes para os mesmos em sua infância. Em sua maioria, as cantigas de roda não necessitam de grande movimentação para sua realização, mas aqui entra a possibilidade de adaptação da atividade para que possibilite maior movimentação.

Ao criar ou combinar movimentos específicos para cada trecho da cantiga junto aos idosos, por exemplo, você se utiliza da cantiga como forma de estimular diferentes partes do corpo, e assim, diferentes grupos musculares, além do sistema cardiorrespiratório como um todo.

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Como vimos nos exemplos acima, a adaptação pode e/ou deve ocorrer, pois se trata de uma população com condições e necessidades específicas. Vale ressaltar também que as atividades com caráter essencialmente lúdico não têm nem devem ter um viés direcionado propriamente aos ganhos aeróbios ou de fortalecimento muscular. Se faz necessário equilibrar o trabalho desenvolvido junto a estas pessoas para que, por exemplo, sua capacidade física de força seja estimulada de forma direta, com exercícios físicos próprios para cada grupamento muscular.

O uso das atividades lúdicas deve ser utilizado como forma de motivar a participação e continuidade dos idosos à prática/programa de atividade física que você é responsável e elas devem ser realizadas conforme a necessidade e disposição dos mesmos, promovendo a criação de um ambiente dinâmico e proporcionando a participação e interação social dessa população.

Além de ajudar aptidão física e na disposição na realização de atividades da vida diária, o uso das atividades lúdicas com os idosos também consiste em uma ferramenta que promove divertimento, lazer e convívio. Isso, tenho certeza, é algo que todos nós queremos ter, seja aos 20, aos 40 ou em qualquer idade! 

 

Referências

CASTRO, Marcela Rodrigues de; LIMA, Leopoldo Henriques Rezende; DUARTE, Emerson Rodrigues. Jogos recreativos para a terceira idade: uma análise a partir da percepção dos idosos. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 38, p. 283-289, 2016. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbce/a/Hz4f8wBWdBX5S5NQ5J9NrqH/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em 02 Jul. 2021.

COSTA, I. P. et al. A importância das atividades lúdicas para a saúde mental do idoso institucionalizado: um relato de experiência. In: Anais do II Congresso Brasileiro de Ciências da Saúde. 2017. p. 14-16. Disponível em: <https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conbracis/2017/TRABALHO_EV071_MD1_SA4_ID775_15052017221506.pdf>. Acesso em 02 Jul. 2021.

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Mateus Macedo de Araujo
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