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A importância do exercício físico no tratamento da depressão.

A importância do exercício físico no tratamento da depressão.

Uma simples ida a academia poderia ser uma ferramenta importante para médicos e terapeutas no combate a depressão?

O exercício certamente não é a cura para a depressão, mas um estudo publicado no Journal of Sport and Exercise Psychology descobriu que exercícios aeróbios e o aumento de endorfina promovem a felicidade.

Os pesquisadores observaram que pessoas mais ativas fisicamente relataram mais sentimentos de excitação e entusiasmo do que as menos ativas. E além de seu efeito protetor contra sentimentos de depressão, o exercício pode reduzir o estresse e ajudar a garantir uma noite de sono muito melhor. A escolha de uma atividade que já tenha familiaridade pode ser um excelente complemento para o tratamento da depressão.

Isso porque o exercício físico estimula a liberação de muitas substâncias químicas cerebrais produzidas em baixa quantidade quando uma pessoa está lutando contra a depressão.

Entenda como os exercícios podem ajudar e o quanto podem fazer a diferença durante o tratamento.

O exercício regular é uma das melhores coisas para a saúde mental e física. Apenas uma hora de exercício por semana pode reduzir significativamente o risco de depressão e seus sintomas.

Um exemplo interessante é de um estudo do ano de 2019 que descobriu que pessoas com predisposição genética a depressão mas que faziam exercícios eram menos propensos a desenvolver a doença do que pessoas que não praticavam nenhum tipo de exercício. Na verdade, o estudo descobriu que apenas 15 minutos de corrida ou uma hora de caminhada por dia já contribui na prevenção contra os sintomas depressivos.

Foi observado que os exercícios também estimulam a liberação de endorfina, um neurotransmissor no cérebro que proporciona alívio da dor, aumenta a sensação de prazer e bem-estar e pode ajudar a reduzir os níveis de estresse.

Um outro estudo de 2017 publicado na revista Brain Plasticity, mostrou que os exercícios podem aumentar os níveis de dopamina e serotonina no cérebro. Mas não para por aí, o exercício físico também gera o aumento do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma proteína que apoia a estrutura e as funções cérebrais.

Então qual seria o melhor exercício para a depressão?

A recomendação é de que se pratique de 150 a 300 minutos de exercício de intensidade moderada por semana ou 75 a 150 minutos de atividade intensa por semana.

Mas se os sintomas de depressão estiverem elevados, pode ser difícil manter essa recomendação, então tenha em mente que  qualquer quantidade de exercício realizado por semana já está ótimo e proporcionará benefícios.

Além disso, existem muitas atividades que podem ser qualificadas como exercícios moderados ou intensos. Aqui estão apenas alguns exemplos:

Moderado:  Caminhada, hidroginástica, dança ou ioga. Mas também podem entrar nessa categoria afazeres domésticos e alguns hobbies como limpar a casa, jardinagem e passeios com animais de estimação.

Intenso: Corrida, ciclismo, natação, caminhada com aclive, pular corda e musculação. Aqui podemos acrescentar ainda mais  esportes como futebol, vôlei, basquete, handebol e tênis.

O que também pode ser interessante é realizar combinações desses diferentes tipos de modalidades, a fim de conseguir manter uma consistência e principalmente a motivação.

Vale se atentar que tanto o exercício aeróbico quanto o treinamento de força podem ser úteis, as recomendações de atividade física promovem ambas as formas de exercício, e a variedade pode evitar que a rotina se torne monótona.

Além disso, é possível observar mais alguns  benefícios relacionados a saúde mental para ambos os tipos de exercício. Veja abaixo o que alguns estudos apontam:

Intensidade moderada:  Um estudo de 2015 publicado na revista Medicine & Science in Sports & Exercise descobriu que pessoas que se exercitaram em intensidade moderada praticando modalidades como esportes coletivos, esportes individuais e caminhada por 150 minutos por semana relataram ter menos sintomas depressivos, como ansiedade e estresse.

Treinamento de força: Um estudo de 2018 publicado na revista JAMA Psychiatry descobriu que os participantes que fizeram exercícios de treinamento de força, reduziram significativamente os sintomas depressivos, como mau humor, perda de interesse nas atividades e sentimentos de inutilidade.

Yoga: Um estudo de 2019 publicado pela Boston University descobriu que pessoas com depressão clínica que tiveram aulas de yoga de duas a três vezes por semana relataram níveis mais elevados de tranquilidade, positividade, exaustão física e melhora dos sintomas de ansiedade e depressão.

Na verdade, não existe um determinado tipo de exercício que seja mais eficaz para aliviar os sintomas da depressão e reduzir o estresse, o que eu sempre digo e defendo, é que as pessoas passem a buscar atividades que tenham familiaridade e que lhes tragam prazer. Para as pessoas que nunca praticaram nenhum tipo de atividade física, recomendo experimentar e vivenciar diferentes tipos de exercícios para terem experiências distintas a fim de se conectar com alguma delas.

Acho que as pessoas estão cada vez mais presas na busca de programas de exercícios perfeitos. Mas eles não existem!

O melhor exercício é aquele que você faz.

Foto de Andrea Piacquadio no pexels

Esporte & Movimento
Thyago Arruda
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