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A prática da atividade física na prevenção e tratamento da depressão

A prática da atividade física na prevenção e tratamento da depressão

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2011 já estimava que 9,5% das mulheres e 5,8% dos homens passariam por um episódio depressivo num período de 12 meses, mostrando uma tendência ascendente nos próximos vinte anos (World Health Organization - WHO, 2001). Essa estimativa foi confirmada em um relatório recente da Organização Mundial de Saúde (OMS), onde foi constatado que o número de pessoas com depressão aumentou muito na última década.

Atualmente, quase 5% da população do globo (cerca de 330 milhões de indivíduos) convive com a doença e as suas repercussões no cotidiano. Infelizmente, o Brasil ocupa uma posição de destaque nesse contexto. Estima-se que a maior taxa de depressão do continente latino-americano está entre os brasileiros, impactando cerca de 12 milhões de pessoas.

Inevitável deixar de mencionar também que a pandemia do coronavírus impactou a sociedade e todos os indivíduos em diversas esferas, onde o medo de ser contaminado pelo vírus e sofrer as consequências da doença, o desemprego ou a diminuição da renda são fatores ligados ao surgimento de sintomas depressivos.

A depressão é uma doença psiquiátrica em que a pessoa sente tristeza profunda, baixa autoestima e sentimento de culpa recorrente. Além disso, vivencia distúrbios do sono e do apetite, perde o prazer ou a alegria nas atividades e relações pessoais, se sente desmotivada ou sem energia e pode apresentar pensamentos suicidas. É uma patologia que causa um grande impacto na vida social das pessoas refletindo no convívio social uma vez que se reflete na capacidade individual e no convívio familiar. Considerada um problema de saúde pública é uma patologia muito recorrente nos últimos anos, e para seu tratamento geralmente são indicados medicamentos ou psicoterapias.

São sintomas comuns e recorrentes no quadro depressivo maior, sentimentos de: “tristeza, crises de choro, angústia e desesperança, baixa autoestima e capacidade de sentir prazer, culpa, visões pessimistas do futuro, isolamento social, perda de interesse até alterações somáticas, envolvendo o sono, apetite, atividade motora e função sexual” (ROZENTHAL et al, 2004; SELIGMAN, 1977 apud VIEIRA et al, 2008).

O tratamento da depressão geralmente é associado a medicamentos e psicoterapias, porém costuma enfrentar várias barreiras, desde a baixa efetividade até a pouca adesão. É nesse contexto que a atividade física pode se apresentar como possibilidade de tratamento auxiliar aos tradicionais, ou até mesmo substituto a alguns.

A depressão por ser multifatorial e com vias e possibilidades de tratamento e prevenção variadas, o exercício físico tem se apresentado na literatura cientifica como uma alternativa não medicamentosa muito importante, com benefícios diretos ao indivíduo acometido, combate à comorbidades entre outras melhorias na saúde física e mental.

O exercício físico se destaca por quase nenhum de efeitos colaterais comparado às alternativas medicamentosas e terapêuticas e contribuição global na promoção de saúde do indivíduo e podendo ser utilizado tanto como complemento aos tratamentos convencionais, como substituto a estes em alguns casos leves da depressão.

Os principais benefícios encontrados no exercício físico são: a diminuição da insônia e da tensão, bem-estar emocional, imagem corporal positiva, aumento da positividade e autocontrole psicológico, melhora do humor e interação social positiva assim como ocorre uma resposta fisiológica ao esforço através da promoção de adaptações como a liberação de neurotransmissores como a serotonina e dopamina e a ativação de seus receptores e cadeias reativas.

Apesar de inúmeros estudos confirmarem a eficácia dos exercícios físicos na prevenção e tratamento da depressão e por ser uma patologia que acomete cada vez mais um número maior de  indivíduos, é necessário extrair mais  importantes validações a respeito destes efeitos benéficos do exercício físico sobre o quadro depressivo e ainda encontrar importantes informações para fortalecer, fundamentar e orientar um trabalho ainda mais eficiente dos profissionais de educação física, assim como outros profissionais da saúde no uso terapêutico do exercício físico na patologia depressiva.

 

Leonardo Gontijo

Profissional de Educação Física

Personal Trainer

Professor de Ginástica Coletiva

CREF- 015034-G-MG

Tel: (31)98738-2997

 

 

Referências Bibliográficas:

 

Organização Mundial da Saúde. Transtornos mentais. Disponível em: http://who.int/mediacentre/factsheets/fs396/es/

Rozenthal, Marcia; Engelhardt, Eliasz; Laks, Jerson. Aspectos neuropsicológicos da depressão. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. 2004 · 26'(2): 204-212.

Seligman, M. E. P. (1992). On development, depression and death. New York: Freeman. (Trabalho original publicado em 1975)

VIEIRA, José Luiz Lopes; PORCU, Mauro; ROCHA, Priscila Garcia Marques Da. A prática de exercícios físicos regulares como terapia complementar ao tratamento de mulheres com depressão. Jornal brasileiro de psiquiatria, Paraná, v. 56, n. 1, p. 23-28. 2007.

 

 

Esporte & Movimento
Leonardo Melo Gontijo
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Personal Trainer, Professor de Educação Física Escolar, Professor de Atividades Coletivas. Especialista em atividade física para grupos especiais.

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