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A relação dos exercícios com peso corporal e a carreira do personal trainer pós pandemia

A relação dos exercícios com peso corporal e a carreira do personal trainer pós pandemia

Que a maioria das áreas dentro da Educação Física, principalmente a que atua dentro de academias, foi e está sendo diretamente afetada durante período de pandemia, muitos já sabem. Para a maioria dos profissionais, especificamente os abordados nesse artigo (personais trainers), a situação se mostrou mais desafiadora com o fechamento das academias por mais de uma vez e por vários meses.

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Como em toda situação, podemos enxergar o copo meio cheio ou meio vazio. Ficar de braços cruzados e esperar o exercício físico ser considerado uma atividade essencial pela Câmera Municipal enquanto os alunos estão indo embora, obviamente não é uma boa opção.  Porém, saber que a tecnologia pode ser usada a nosso favor e saindo da zona de conforto, podemos concluir que a profissão não deixou de ser lucrativa, mas mudou a forma de atuação ampliando o mercado para o mundo on-line e espaços livres, que já existiam antes da pandemia, mas não eram enxergados pelos personais trainers. 

Para entender melhor o cenário atual e porque há profissionais decolando justamente pela crise enquanto outros lamentam estarem sobrevivendo com 1/3 da renda, temos que lembrar do contexto histórico recente, pois a Educação Física completa apenas 23 anos como profissão regulamentada.

Desde o início da década de 90 com o surgimento das academias no Brasil, alguns anos antes da regulamentação, já estava sendo criada a crença cultural tanto pelo mercado fitness quanto pelos profissionais que, para ter bons resultados estéticos e de saúde, precisamos estar inseridos no espaço da academia com toda a infraestrutura.

Isso leva o profissional a se engessar cada dia mais a ponto de se tornar “escravo” ao conseguir trabalhar somente se tiver dentro desse contexto! Ponto para o mercado e os investidores! Para os profissionais? Há controvérsias! Como que de repente, devido a pandemia, mudar o discurso e prometer ao aluno que sem as endeusadas máquinas, pouco material e a distância, ele continuará tendo resultados? Aí que entraram os profissionais que decolaram no momento de crise!

A primeira etapa foi perceber que era o momento de abordar os exercícios com o peso corporal pelos principais motivos: 

1º - As pessoas não têm ou têm poucas opções de material consigo, até mesmo pelo contexto econômico da maioria diminuindo o poder de compra; 

2º - O treino precisa ser a distância, muita das vezes on-line; 

3º - Montar grupos traz pertencimento em um momento em que é um dos maiores desejos das pessoas ter contato com o próximo;

4º - O fato de exercitar fisicamente passou a ser prazeroso para muitas pessoas, sendo enxergado como uma forma de terapia. 

Até aqui, alguns profissionais conseguiram começar, mas o que fez realmente só alguns continuaram? Conhecimento técnico! Que vai muito além da aplicabilidade dentro da academia ao precisar ter conhecimentos: 

1º - Biomecânicos: Entender na prática que as articulações tâm funções diferentes no sistema motor. Algumas possuem função de mobilidade enquanto outras de estabilidade. Geralmente o uso elevado das máquinas e pouco movimento livre torna-se necessário, por parte do profissional, reestabelecer as funções articulares antes de sobrecarregá-las. Ensinar ao aluno as capacidades de puxar, empurrar, saltar, correr, rotacionar em todos os planos.

2º - Neurológicos: As atividades do sistema simpático e parassimpático, modulam a resposta da frequência cardíaca ao exercício. O aluno aprende a controlar sua respiração, principalmente nas pausas entre os exercícios, usando ao seu favor para um melhor desempenho e aumentando sua capacidade cardiorrespiratória, respondendo bem à fadiga.  

3º - Endócrinos: Quais são as repostas que surgem a partir da liberação hormonal de dopamina, adrenalina, noradrenalina, serotonina potencializando a perfomance, trazendo sensação de vitalidade e aumento dos níveis de energia. 

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Enxergando fora da caixa, todo esse conhecimento repassado ao aluno faz com que, além de entender, ele sinta bem nas atividades funcionais do dia a dia e nas suas relações interpessoais, porque precisa praticar exercício físico de forma individualizada (por mais que possa praticar com mais pessoas), inteligente e prazerosa. Para o profissional, se torna sustentável, ao ser independente de espaço terceirizado para trabalhar, e rentável, porque dificilmente algum aluno deixará de ser cliente por falta de valorização do seu personal. 

 


Referências:

Novo modelo de treinamento funcional, Michael Boyle.

Avanços do treinamento funcional, Michael Boyle.

Trilhos Anatômicos, Thomas W. Mayers.


 

 

 

Esporte & Movimento
Marina Testa Personal
Marina Testa Personal Seguir

Sou Personal trainer em Belo Horizonte (MG) apaixonada pelo movimento e comportamento humano e como a sabedoria de suas aplicabilidades podem transformar a minha vida e de meus alunos, uma comunidade conhecida como #teamtesta.

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