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Atividade física ao ar livre

Atividade física ao ar livre

Com o advento da pandemia da Covid-19 e o fechamento temporário de locais como academias e clubes, tornou-se necessário encontrar meios alternativos para manter-nos fisicamente ativos durante o período de isolamento social. Para muitos, o uso do ambiente doméstico como local para a própria prática de exercício físico foi a primeira opção a se apresentar, especialmente pelo fato de estarmos, na maioria, todos em casa.

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No entanto, assim como para a prática de exercício físico, o trabalho para muitos também migrou para os lares, e dividir adequadamente o tempo de trabalho junto às demais atividades, como afazeres domésticos e auxílio aos filhos no ensino remoto, se tornou uma verdadeira missão.

A possibilidade de buscar a realização de uma prática de atividade física ao ar livre surgiu como uma solução para, além da própria manutenção de uma rotina minimamente ativa, ter uma “mudança de ares” durante ao menos uma pequena parte do dia, como forma de aliviar a tensão e o estresse provocados pelo tempo permanecido em um mesmo ambiente (nossas casas), o convívio familiar, as demandas profissionais, etc.

Duas das práticas mais comuns e possíveis de serem realizadas ao ar livre são: caminhada/corrida e ciclismo. No entanto, é necessário, minimamente a presença de locais adequados para a prática destas atividades nas proximidades das nossas residências. Em primeiro lugar, é importante termos conhecimento se na região em que moramos (ou onde moram nossos alunos/alunas) existem praças, parques e/ou estradas que possibilitem a realização destas práticas de forma segura, com o devido distanciamento para com outros praticantes.

A prática de atividade física realizada em contato com a natureza, ao ar livre, é capaz de promover inúmeros benefícios, além dos já conhecidos da prática de qualquer atividade física num geral.

Como sabemos, durante a atividade física ocorre uma potencialização do gasto energético, o que mantém o metabolismo aumentado por um longo período após sua execução, e associado com a melhora na sensibilidade à insulina, também promovido pela prática, a redução de peso e, consequentemente, a prevenção e tratamento da obesidade, é capaz de ser alcançado pelos praticantes não somente da caminhada/corrida, mas em diversas outras atividades (especialmente as aeróbias). No entanto, realizar especificamente estas atividades em contato com a natureza traz um ponto crucial para a discussão: o bem-estar do indivíduo.

Sabemos que os ambientes das academias não costumam se apresentar como acolhedores para quem está começando a prática regular de atividade física, por diferentes fatores que dariam um texto à parte. Assim, promover a prática em outro ambiente já é um ponto a favor para quem está começando. Além disso, existem estudos que indicam que o exercício ao ar livre parece ser mais benéfico, levando em conta o impacto do ambiente sobre a saúde mental do indivíduo (Bowler et al., 2010 apud Presotto, 2016) por, por exemplo, contribuir para a redução do estresse.

Estudos indicam que marcadores endócrinos como a adrenalina, noradrenalina e cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, apresentam diminuição dos níveis quando o indivíduo está em contato com a natureza, sugerindo assim que essa exposição afeta os mecanismos que desencadeiam as alterações que resultam no estresse. Além disso, o exercício aumenta o nível dos neurotransmissores noradrenalina e serotonina, os quais se encontram diminuídos em pessoas depressivas, promovendo uma melhoria no estado de humor (Park et al., 2010; Li, 2010 apud Presotto, 2016).

Desta forma, podemos perceber o quão válido é propor, especialmente para pessoas que não têm como objetivo especificamente a melhora no fortalecimento muscular global ou específico, mas sim a prática de uma atividade física regular, mais voltada para fins de emagrecimento e/ou condicionamento aeróbio, iniciar pela caminhada, evoluindo para trote e depois corrida conforme o tempo.

Mas lembre-se de ter e recomendar os cuidados adequados, especialmente neste momento que ainda devemos nos atentar à circulação da Covid-19. Os dois metros recomendados para atividades cotidianas em ambientes públicos, como ao caminhar na rua, não se aplicam aos esportes ao ar livre, sendo necessário garantir um espaço ainda maior de pessoa para pessoa. Só assim é possível garantir que, havendo alguém infectado, as chances de contágio sejam consideravelmente diminuídas.

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Saiba também respeitar o ritmo do seu corpo ao sujeitá-lo a práticas de maior exaustão como corridas e pedaladas, principalmente longe de casa. Afinal, ninguém quer passar mal e comprometer seu desempenho e motivação, tampouco sofrer lesões a médio e longo prazo.

Fique atento(a) aos horários do dias, buscando períodos em que a incidência de raios ultravioleta seja menor: antes das 10h e após as 16h. Mesmo assim, o uso de filtro solar se faz necessário.

E claro, antes de sair para caminhar, correr, pedalar ou praticar qualquer esporte na rua, coma alimentos proteicos, como carnes e algumas verduras. Estes alimentos agem no organismo como uma reserva de energia, repondo aminoácidos e ajudando na recuperação muscular. E também carboidratos! Deve-se ingerir alimentos ricos em carboidratos complexos e pobres em gordura, como arroz integral, batata doce e outros. Tudo vai depender do período do dia em que a atividade será realizada. O segredo é só não exagerar para evitar a sensação de inchaço, que pode atrapalhar em muito seu desempenho durante o treino.

E tão importante quanto se alimentar da maneira correta é manter-se hidratado antes, durante e depois das atividades físicas. Ao correr, suamos muito, o que leva à perda de sais minerais ao expelir líquidos do nosso corpo. Se não repormos este líquido, podemos chegar a um nível de desidratação, além, é claro, de perder rendimento e disposição. Portanto, garanta a hidratação correta e de qualidade através da água antes de praticar seus exercícios. Durante a prática, vale contar com a ajuda dos isotônicos, que além de hidratar ainda proporcionam mais energia para você dar o melhor de si.

Por último, não se esqueça de utilizar roupas confortáveis desenvolvidas para a prática de esportes. O ideal é o uso de roupas claras e leves, com tecidos de proteção UV, óculos de sol e chapéus/bonés. Além, é claro, dos equipamentos de proteção individual para esportes de impacto ou com risco de queda, como as joelheiras e capacetes utilizados no ciclismo.

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Enfim, mesmo com todos estes pontos a se atentar, para muitos uma prática ao ar livre faz muito mais sentido (e traz uma sensação melhor). Assim, cabe a nós orientar para que cada pessoa tire melhor proveito disto e mantenha-se bem, encontrando uma alternativa para ter uma rotina ativa em sua vida diária.

 


Referência

PRESOTTO, A. et al. Benefícios do exercício físico e sua relação com o meio ambiente. EFDeportes. com, 2016. Disponível em: <https://www.efdeportes.com/efd213/exercicio-fisico-e-meio-ambiente.htm>. Acesso em 10 Jul. 2021.

Esporte & Movimento
Mateus Macedo de Araujo
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