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Aumentando a flexibilidade do seu aluno!

Aumentando a flexibilidade do seu aluno!

Quando nós falamos sobre métodos de treinamento devemos ter em mente que não dizem respeito apenas ao treinamento voltado para hipertrofia, ganho de força necessariamente. Podemos ter outros objetivos, como por exemplo melhoria da nossa flexibilidade. Por falar nisso, vocês estariam dispostos a conhecer um método que é capaz de melhorar o desempenho de qualquer pessoa nesta capacidade? Rola aqui para baixo e vem descobrir então!

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Fazendo uma contextualização sobre o treinamento de flexibilidade, podemos afirmar que é uma capacidade muito importante para uma boa qualidade de vida, que assim como todas as outras, possui uma janela ótima para ser desenvolvida, neste caso durante a infância. Na vida adulta mesmo assim, este tipo de treinamento pode trazer diversos benefícios, como mudanças positivas na arquitetura muscular e também alterações que melhoram as contrações musculares, além de aumentar a amplitude de movimento dos membros trabalhados, como já é de se imaginar.

O método a que me refiro se chama: Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, ou para os íntimos FNP. Este método consiste em um alongamento passivo por parte do aluno, seguido por auxílio externo que irá aumentar a amplitude de movimento. Trazendo para uma situação prática, imagine que o aluno está deitado, com a perna estendida e traz ela em direção ao peito. Com a FNP, o aluno irá fazer este movimento até o ponto máximo voluntário que consegue sem ajuda e em sequência alguém irá empurrar a perna um pouco mais em direção ao peito do aluno, aumentando assim a amplitude do alongamento.

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Para explicar o mecanismo pelo qual a FNP é efetiva, devo apresentar a vocês duas estruturas muito importantes, as quais estão presentes nos nossos músculos. A primeira delas é o fuso muscular. Esta é uma estrutura sensorial que tem como finalidade informar ao Sistema Nervoso Central (SNC) sobre o nível de estiramento muscular. Em outras palavras, o fuso manda informações de quanto o músculo está alongando, se é uma amplitude segura ou não e a partir destas informações, nosso SNC pode desencadear o reflexo miotático, por exemplo, que iria impedir um maior alongamento do músculo através de uma contração do mesmo, ativada de modo reflexo.

A segunda estrutura que devo mencionar são os Órgãos Tendinosos de Golgi (OTG). Essa estrutura também está presente nos nossos músculos, porém tem uma função diferente dos fusos musculares. Os OTGs informam ao nosso SNC sobre o nível de tensão que está sendo produzido no nosso músculo, ou seja, a quantidade de força que estamos produzindo. Ele possui uma distribuição complementar aos fusos e sempre que estamos produzindo uma força além do que seria considerado ideal, esta estrutura manda sinais ao SNC que devolvem estímulos no sentido de inibir a contração, na tentativa de proteger nosso músculo.

A realização da FNP ocorre graças à concorrência entre o envio de sinais elétricos entre estas duas estruturas. Quando o aluno realiza o alongamento (como o citado em um dos parágrafos anteriores) chegando a sua amplitude máxima de movimento e faz uma contração isométrica, são enviados sinais elétricos através de motoneurônios do tipo 1b, enviando sinais através dos OTGs e não pelos fusos musculares (que são enviados através de motoneurônios 1a), inibindo a contração daquela musculatura e assim impedindo que o reflexo miotático (consequência da ação dos fusos musculares) aconteça, e desta forma, permitindo uma maior amplitude de movimento.

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Agora conhecendo este novo modelo para treinar flexibilidade, os profissionais possuem uma ferramenta a mais para incrementar os treinos de seus alunos. É importante sempre ficar atento a novas possibilidades que vão surgindo e conhecer as tendências que chegam para amplificar os resultados daqueles que confiam no seu trabalho!

 


Referências:

American College of Sports Medicine. ACSM’S Guidelines for Exercise Testing and Prescription (6th ed.). Lippincott Williams & Wilkins, 2000. 

Sharman MJ, Cresswell AG, Riek S. Proprioceptive neuromuscular facilitation stretching : mechanisms and clinical implications. Sports Med. 2006;36(11):929-39. doi: 10.2165/00007256-200636110-00002. PMID: 17052131.

Esporte & Movimento
João Marcelo Garcez Ribeiro
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