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Como funciona o metabolismo anaeróbio durante o exercício?

Como funciona o metabolismo anaeróbio durante o exercício?

O corpo humano é um incrível palco de fenômenos fisiológicos. Do ponto de vista simples, sabe-se que, em homeostase, o corpo está sempre realizando feedbacks para manter o equilíbrio dos parâmetros fisiológicos.

No entanto, estes mecanismos podem sofrer alterações em algumas situações, como por exemplo: exposição ao frio, fome, calor, após alimentação e durante/após realização de atividades físicas e exercícios físicos.

Partindo para o contexto do exercício físico, para o bom funcionamento do corpo humano, é necessária demanda adequada de oxigênio para os tecidos, porém em algumas modalidades de exercício, o corpo humano consegue e precisa utilizar vias metabólicas que não utilizam o oxigênio (vias anaeróbias alática e lática) como principal percursor bioenergético.

Durante exercícios de curta duração e alta intensidade (0 à 10-15 segundos), o metabolismo humano utiliza a via metabólica anaeróbica alática (sem formação de lactato), que fornece energia celular a partir da quebra de fosfocreatina, que contém ligações químicas de alta energia. Quando catalizadas pela enzima creatina quinase, estas ligações fornecem grande número de adenosina trifosfato (ATP) para a célula. Tudo isso ocorre pela chamada via fosfogênica ou fosfagênica.

Ainda em exercícios de curta duração e alta intensidade (desta vez com duração >15 segundos), o metabolismo humano utiliza a via metabólica anaeróbica lática (com formação de lactato) para promover energia celular. O principal substrato energético dessa via é a glicose, molécula esta que, dentro da célula muscular (principalmente IIb), passa por 10 a 12 alterações químicas promovendo ganho de ATP e então é convertida em lactato (ou piruvato quando nos tratamos do metabolismo aeróbico).

Vale ressaltar que este lactato não gera fadiga muscular, como muitos alunos nossos pensam. A causa da fadiga é o acúmulo de H+, que gera acidez celular. O mesmo é transportado pela proteína MCT-4 para a corrente sanguínea e tem como destino final o fígado, órgão que poderá convertê-lo em glicose e liberar esta molécula para ser reutilizada (caso haja demanda energética) ou armazená-la em forma de glicogênio hepático (caso não haja demanda energética).

Esporte & Movimento
Henrique Izaias Marcelo
Henrique Izaias Marcelo Seguir

Profissional de Educação Física - UNOESTE Laboratório de Fisiologia Endócrina: Regulação Hormonal e Expressão Genica - USP Laboratório de Análise da Plasticidade Muscular - UNESP Grupo de Estudo de Fisiologia do Exercício - UNOESTE

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