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Concussão cerebral: novas classificações e conhecimento fisiopatológico

Concussão cerebral: novas classificações e conhecimento fisiopatológico

A concussão pode ser descrita como um mecanismo biomecânico no qual ocorre um processo de aceleração e desaceleração abrupta do cérebro. Esse mecanismo traumático pode comprometer a atividade neuronal e pode ser descrito como um golpe direto ou indireto contra a cabeça, ou indireto por um golpe contra outras partes do corpo, levando à um “chicoteamento da cabeça”. No mundo todo há uma alta prevalência de entrada nas emergências de pacientes com concussão cerebral. Nos últimos anos aumentou em duas vezes o número de concussões no esporte, sendo subnotificado principalmente nos esportes de contato: futebol, rugby, futebol americano e hóquei.

As estruturas do sistema nervoso que serão acometidas dependerão  muito do local da lesão, levando à uma apresentação clínica característica: qualquer local do sistema nervoso poderá ser acometido e mais de um local ao mesmo tempo.

Os sintomas podem variar. Eles podem ser discretos e outras vezes mais acentuados, incluindo diversos sintomas que impactam o físico, emocional e bem-estar mental. Os detalhes e a imersão sobre os sintomas ficarão para o próximo post, por ser um conteúdo extenso e interessante abordar detalhadamente.

Considera-se que a disfunção cerebral pode estar relacionada com a lesão neuronal causada pela liberação excessiva de neurotransmissores excitatórios, principalmente o glutamato. Isso gera uma perda da capacidade de regulação dos íons, desregulação do metabolismo celular, uso de energia e redução não tão severa do fluxo sanguíneo cerebral. A inflamação cerebral após uma lesão traumática moderada ativa o genes pró-inflamatórios e a micróglia tem uma infiltração. A morte celular é um aspecto final no processo de lesão cerebral traumática, principalmente nas lesões de repetição por concussões cerebrais.

A maioria das vezes a concussão não é diagnosticada, por ser difícil avistar nas imagens diagnósticas: RNM (ressonância nuclear magnética) ou TC (tomografia computadorizada). Os sintomas pós-concussão ocorrem devido a mudanças químicas e de energia que ocorrem no cérebro devido ao trauma. Este órgão vital pode se tornar ineficiente para realizar processos fisiológicos normais, os quais em seguida resultam nos sintomas que serão descritos na próxima postagem.

O tempo de recuperação é individualizado. Apesar de existir uma estimativa, a gestão individual e as decisões de retorno ao jogo permanecem no campo do julgamento clínico.

 

Fonte da imagem: CBF

 

Referências:

}Quevedo, MJ. Internações em UTI por trauma cranioencefálico (TCE) na cidade de Porto Alegre. Porto Alegre, 2009. Monografia apresentada à Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para obtenção do título de especialista em Saúde Pública;

}American Medical Society for Sports Medicine Position Statement: Concussion in Sport. (Clin J Sport Med 2013;23:1–18);

}Concussion recognition tool 5©. BJSM Online First, published on April 26, 2017 as 10.1136/bjsports-2017-097508CRT5;

}Consensus statement on concussion in sport—the 5th international conference on concussion in sport held in Berlin, October 2016. McCrory P, Meeuwisse W, Dvořák J, et al. Br J Sports Med. 2017;51:838–847.;

}Concussão cerebral: mais que uma simples batida na cabeça! Anghinah , Dr. Renato / Pagura, Dr. Jorge. Estante De Medicina;

 

 

 

Esporte & Movimento
Ana Flávia RB
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Apaixonada por fisioterapia e excelente aprendiz.

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