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Dissociar para se atingir a eficácia do movimento na dança

Dissociar para se atingir a eficácia do movimento na dança

Quando trabalhamos uma articulação específica aumentamos sua mobilidade e isto irá repercutir no corpo como um todo. Trabalhando isoladamente uma articulação, ou seja, separando-a das partes do corpo, acabamos percebendo a totalidade, a dissociação torna-se útil à associação.

Para alcançarmos domínio sobre uma articulação, primeiro, temos que investigar as possibilidades de movimento para  depois soltar, encaixar e desencaixar a vontade.

Esse trabalho de destaque de uma articulação específica faz sobressair um ponto de equilíbrio em nosso corpo e isso acaba irradiando para todo o resto, inclusive para a atividade intelectual.

O que ocorre normalmente na dança é que as pessoas já tem um ideal a atingir e isso faz com que as pessoas se submetam a um trabalho desgastante, tanto físico como psicológico. As pessoas devem ter como partida o corpo que tem e para atingir o objetivo desejado terá que ter disciplina e organização.

Podemos citar que para liberar uma dada articulação é necessário prendê-la, descobrir a diferença entre prender e soltar. Só quando se obtém um relativo domínio e suas possibilidades de movimento é que se torna possível encaixar e desencaixar à vontade, empregando toda a potencialidade em forçar ou liberar a articulação.

Para isso é necessário educar e tornar fluente a naturalidade do gesto, fazendo que o aprendizado se converta num hábito.

Ou seja, o movimento humano tanto é reflexo do interior do homem quanto tradução do mundo exterior. Estamos sempre estabelecendo uma troca com o exterior, uma relação com a vida.

A dança começa no conhecimento dos processos internos. As pessoas são estimuladas a adquirir a compreensão de cada músculo e do que acontece quando se movimentam. Por processos prazerosos ou dolorosos, as partes vão se ligando e acabamos entendendo o todo, tendo uma percepção mais integrada do corpo. Porém, o que mais acontece é o trabalho de técnicas específicas e essas levam a adquirir blindagens que levam a impedir reconhecimentos interiores.

Quando trabalhamos enriquecendo nossas possibilidades musculares, simplesmente não nos movemos e sim somos o movimento de uma forma integral. Ou seja, quando dançamos está dentro de nós a engrenagem que faz o movimento do mundo e isso se repercute em estéticas agradáveis de se observar.

O que percebemos hoje em dia é que o domínio da dança segue regras e convenções em função de um ideal estético antecipadamente suposto e proposto. Porém, podemos pensar a dança além desses limites, como uma das raras atividades em que o ser humano se engaja plenamente de corpo, espírito e emoção. Mais do que uma maneira de exprimir-se por meio de movimento, a dança é um modo de existir, com destaque para a realização da comunhão entre os homens.

Já que a dança é um modo de existir, cada um de nós possui sua dança e seu movimento particular e esse movimento passa por uma evolução, levando a uma forma de expressão em que a busca da individualidade possa ser entendida pela coletividade humana.

Concluindo, entendo que o caminho de se trabalhar isoladamente um parte para se atingir o todo é uma boa técnica para se compreender o corpo integral. Exploro essa técnica quando vou ministrar minhas aulas de charme. Introduzo partes avulsas de movimentos que irei utilizar na coreografia final ou movimentos que levam a uma facilitação de compreensão dos movimentos da coreografia. Isso fará com que o aluno integre tudo de maneira mais eficaz. A dissociação torna-se útil à associação, alcançando assim objetivos pedagógicos e estéticos.

 

Esporte & Movimento
Valéria Alves
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Estudante de licenciatura em dança na UFRJ. Profissional sindicalizada do movimento charme.

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