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E fora o cálcio, nossos ossos estão bem?

E fora o cálcio, nossos ossos estão bem?

O osso é um tecido multifuncional constituído por três tipos celulares: os osteoblastos, os osteócitos e os osteoclastos. O primeiro tipo celular tem como função principal sintetizar matriz óssea não mineralizada constituída por colágeno. Ou seja, os osteoblastos estão envolvidos na produção de colágeno, que é a principal proteína presente em nossos ossos e responsável pela sua rigidez.

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Os osteócitos, por sua vez, produzem a matriz inorgânica do osso, ou seja, eles estão envolvidos na constituição de cálcio presente no osso, além da produção de colágeno, mas, diferente dos osteoblastos, os osteócitos perdem suas funções ao longo da vida.

E por último, os osteoclastos possuem uma função inversa a das duas células anteriores, sendo responsáveis pela degeneração óssea, o que significa que são as células responsáveis por auxiliar na regulação da espessura óssea junto aos osteoblastos. Muitas vezes, essa degradação é feita para que o corpo use as substâncias presentes no osso, como o cálcio, em outras funções do corpo que podem estar necessitando, como por exemplo, para o funcionamento adequado do coração.

Ao longo de nossas vidas, nosso tecido ósseo passa por diferentes fases, e devemos saber como “trabalhar” com o mesmo durante estes diferentes momentos.

Durante a infância, o tecido ósseo é mais maleável, porque o osso, nessa fase da vida, possui uma matriz inorgânica (composta por cálcio) maior que sua matriz orgânica (composta por colágeno), tendo maior resistência fisiológica. Assim, lesões que ocorram nesta fase da da vida tendem a se regenerar mais facilmente. No entanto, devemos ter muito cuidado, pois caso a lesão venha a ocorrer numa parte específica do osso, devido a algum estímulo incorreto, pode resultar em uma deformação no crescimento do osso afetado, o que muitas vezes só é percebido na vida adulta.

Por outro lado, a adolescência, por sua vez, é a fase onde ocorre a maior velocidade de aumento da massa óssea, pode ser a época mais sensível às influências externas que atuam no crescimento. Práticas como voleibol, basquetebol, ginástica artística, entre outras, são, desta forma, as mais indicados para elevar a densidade mineral óssea, favorecendo a otimização do pico de massa óssea na fase adulta e prevenindo, por exemplo, a osteoporose na idade avançada.

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Até os 30 anos, é possível aumentar de forma otimizada a massa óssea com a aplicação correta de sobrecarga, pois com a prática de exercício físico os osteoblastos aumentam sua atividade, produzindo mais colágeno e aumentando assim a massa óssea. Após os 30 anos, o tecido fica estável, ou seja, não é possível continuar aumentando a espessura, mas podemos aumentar sua densidade, se permanecermos propiciando um aumento da massa óssea. Além disso, podemos gerar uma proteção ao osso através do aumento e fortalecimento da musculatura que envolve o osso e as articulações ao redor, funcionando como um escudo para tais estruturas.

Em parte, durante o envelhecimento, é inevitável que ocorra perda óssea, pois nessa fase da vida há um aumento da atividade dos osteoclastos, que antes se mantinham em equilíbrio com os osteoblastos. Mas é possível, também, amenizar esse processo com o estímulo correto. Tais estímulos têm que ser compressivos, com alta intensidade, possuir uma alta frequência de aplicação e a adaptação ser específica à região do estímulo. Ou seja, o osso precisa de estímulos que envolvam impacto. E para isso, claro, é que devemos nos atentar à atividade física correta para tal.

Não existe exercício físico perfeito, mas existe o ideal para cada situação!

Para Bassey (1995), a corrida é mais eficiente. Através de pesquisas, foi encontrado um aumento na densidade mineral do osso na coluna, destacando as atividades como as corridas ou exercícios aeróbios de 20 a 30 minutos, realizados 3 vezes por semana, pois eles auxiliam no aumento da densidade mineral dos ossos da coluna lombar. Além disso, esta é uma prática mais acessível a todos no geral, e a caminhada (predecessora, de certa forma, da corrida) tem se tornado uma atividade cada vez mais comum, especialmente para os mais velhos.

É importante ressaltar, em contrapartida, como diz Lima & Fontana (2000) que a natação e demais atividades na água não produzem um aumento da densidade mineral do osso, pois na água o peso do corpo é suportado, o que faz com que a intensidade do exercício seja baixa. Mesmo sendo práticas que ajudem na perda de calorias e de peso, pois qualquer deslocamento no meio aquoso demanda um gasto energético maior que na terra, para o osso o estresse é baixo. É válido, assim, complementar com atividades de impacto na terra para ao menos retardar a perda óssea nesta idade.

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No geral, além de saber quais práticas mais colaboram para os nossos ossos ao longo da nossa vida, é importante lembrarmos dos gostos e preferências dos nossos alunos e alunas. Como dito, não existe atividade perfeita. Então buscar complementar atividades que atinjam os objetivos, mas também sejam satisfatórias para as pessoas é crucial. O cálcio é sim muito importante, mas nunca nos esqueçamos da prática de atividade física para gerar os estímulos certos aos nossos ossos!

 


Referências

BASSEY, E. J. Exercise in primary prevention of osteoporosis in women. Annals of the rheumatic diseases, v. 54, n. 11, p. 861, 1995.

LIMA, Sônia Maria Toyoshima; FONTANA, Cleide Madalena. Atividade física como um dos aspectos preventivos da osteoporose. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 4, n. 2, 2000.

Esporte & Movimento
Mateus Macedo de Araujo
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