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VO2max e Outros Determinantes do Desempenho na Corrida

VO2max e Outros Determinantes do Desempenho na Corrida

Se o nosso corpo funciona como uma máquina, como torná-la mais econômica, e, portanto, mais eficiente?

Quais parâmetros deveremos trabalhar para que a máquina humana seja mais econômica numa corrida, por exemplo?

Apesar do consumo máximo de oxigênio (VO2max) definir o limite superior para a produção de energia em provas de fundo, o mesmo não é determinante para o desempenho final na corrida.

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Quer dizer que, se o atleta apresenta um elevado VO2max, ele poderá ter menor desempenho do que um atleta com menor consumo máximo de oxigênio? Sim, e de fato, na ciência do esporte, sabe-se que a velocidade da corrida no limiar anaeróbio e a economia de corrida demonstram maiores impactos no desempenho. 

Sobre a economia de corrida (EC), o que faz desse, um parâmetro importante? É consenso que, mesmo com VO2max inferior, corredores com boa EC consomem menos energia para um dado ritmo de corrida.

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A EC pode ser definida como o custo de oxigênio (VO2) necessário em determinada intensidade de um exercício contínuo em intensidade submáxima. Ou seja, a EC depende da distância percorrida e também da fração percentual do VO2max que um corredor pode sustentar sem acionar os mecanismos da fadiga muscular, além da capacidade de metabolizar gordura em altas taxas de trabalho. Portanto, ainda que a capacidade aeróbia entre dois corredores seja similar quantitativamente, diversos outros fatores podem definir quem apresenta maior economia de corrida, e, consequentemente, maior potencial de performance.

 

  • Antropométricos

Dentre esses fatores, estão os antropométricos, os quais se associam à distribuição de massa dos segmentos corporais, e demonstram, entre os vencedores em alto nível competitivo, uma tendência de menores estatura e massa corporal.

Na 3ª lei de Newton tem-se a justificativa, pois, para uma menor massa corporal haverá uma menor força de reação do solo, com redução de impacto sobre as articulações. Além disso, corredores mais pesados exigem mais força muscular, o que produz e armazena mais calor em velocidade submáxima, prejudicando seu desempenho.

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  • Fisiológicos

Os fatores fisiológicos, como a frequência cardíaca, também contribuem para uma melhor EC. Os atletas podem apresentar maiores valores médios de frequência cardíaca de reserva, em função da exposição a maiores sobrecargas de treinamento, as quais resultam em alterações no automatismo cardíaco, como bradicardia de repouso.

Por fim, os ajustes estruturais do coração também são acentuados, podendo levar a aumentos importantes do volume sanguíneo ejetado pelo ventrículo esquerdo e do débito cardíaco. Também são relevantes para a manutenção do atleta em corridas de fundo, o tipo predominante de fibras musculares, potência muscular e limiar ventilatório.

 

  • Biomecânicos

Finalmente, os fatores biomecânicos relacionados ao comprimento e frequência da passada, propriedades mecânicas e morfológicas do tornozelo e músculos do joelho (Tartaruga et al., 2004). São parâmetros biomecânicos fundamentais para a EC e, por conseguinte, para o desempenho em corridas de fundo.

A técnica desenvolvida pelo atleta durante a corrida refletirá diretamente na EC, onde se destacam as fases de suporte, impulsão e recuperação e do ciclo de passada. Deve-se ressaltar a frequência de passada, assim como os tempos de passada, de suporte e de balanço, pois quanto maior o comprimento e o tempo de passada e menor a frequência da passada, maior a economia de corrida.

 

  • Conclusão

Portanto, com base no desenvolvimento desses parâmetros e em suas interações, é possível produzir trabalho mecânico com menor gasto energético, ou seja, com mais economia.

Referências

TARTARUGA, L.A.P. ET AL. Correlação entre a economia de corrida e variáveis cinemáticas em corredores de alto nível. R Bras Biomecânica. V5 (9): 51-58, 2004.

Esporte & Movimento
SILVAN SILVA DE ARAÚJO
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Professor de Educação Física graduado pela UFS. Preparação física para o esporte.

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