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Energia, a prática do Yoga e COVID -19.

Energia, a prática do Yoga e COVID -19.

Energia, a prática do Yoga e COVID – 19.

Tudo que fazemos necessita de energia. A prática do Yoga não é diferente. De onde vem esta energia?

A energia que é utilizada para o exercício e a prática do Yoga vem dos alimentos, ou seja, de uma alimentação saudável, rica em vegetais verdes.

A pergunta é: como esta energia, que vem dos alimentos, pode ser transformada em energia para exercitarmos ou praticarmos Yoga?

Os vegetais verdes captam energia do sol e ao alimentarmos deles produzimos energia para podermos exercitar ou praticar Yoga.  No entanto, a energia que vem dos alimentos não é diretamente utilizada durante o exercício ou prática, mas é reorganizada, a partir da quebra das moléculas de ATP, liberando energia para produzir movimento.

E, o que é o ATP?

ATP é uma molécula complexa, composta por duas moléculas de adenosina e 3 de fosfato, produzida e armazenada nas nossas células. Durante a prática do Yoga, seja nas posições psicofísicas (ásanas); nas técnicas de exercícios respiratórios específicos (pranayamas); no relaxamento (yoganidra) - em que o corpo está em shavásana (deitado de costas, pernas afastadas, braços ao lado do corpo, palmas das mãos para cima e olhos fechados) ou nas práticas meditativas (dhyana); ocorre a quebra dessas moléculas (ATP), transformando energia química em mecânica.

Por que o professor de Educação Física que programa uma aula de Yoga precisa saber disso?

Primeiro, é preciso saber que existem duas formas de produzir energia (ATP). Uma, pela via anaeróbia, subdividida em duas: alática e lática. Outra, pela via aeróbia. A via aeróbia é acionada quando realizamos exercícios de leve/moderada até alta intensidade e de média/longa duração. Além disso, utiliza gorduras, carboidratos e proteínas como substratos energéticos. Já a via anaeróbia é acessada quando realizamos exercícios de alta intensidade e curta duração e utilizamos creatina fosfato ou glicogênio como substrato energético.

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A prática do Yoga, particularmente durante os ásanas, ocorre pela via aeróbia. Portanto, a prática do Yoga, a depender do tipo que é praticada, da intensidade e da duração dos ásanas, pode ser considerada um exercício de leve/moderada intensidade e de curta, média até longa duração.

Estudo realizado por Sankar Ray, Pathak e Singh Tomer (2011) aponta que dados relacionados a intensidade e duração do exercício, no caso do Yoga, em termos de fisiologia do exercício não foram documentados sistematicamente como tem sido feito para diversas outras atividades. Portanto, há de se considerar a intensidade e duração do treinamento de Yoga, para que os efeitos da prática do Yoga sejam observados nos vários sistemas fisiológicos, inclusive nos efeitos benéficos provocados ao sistema imunológico.

Tão importante quanto saber como nosso corpo produz energia, é conhecermos os fundamentos do treinamento e sua aplicação na prática profissional. Saber quantas repetições, qual a intensidade, qual a duração e o intervalo entre as séries para realizar qualquer tipo de exercício.

Além do trabalho biológico realizado na prática do Yoga, ocorre um trabalho prânico.

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O que isto significa?

Na prática do Yoga nenhum exercício é realizado sem a combinação da respiração. Ao realizarmos a respiração combinada com as posturas psicofísicas, a energia que vem do sol e do ar que respiramos é transformada em energia vital (prânica), que não é elétrica, luminosa, calórica, mas é semelhante a energia elétrica, porém de outra natureza.

Principalmente, durante os pranayamas, a energia prânica circula pelos “naddis” (condutos de energia por onde circula o prana). O prana entra pela narina esquerda, percorre o naddi píngala, penetra na corrente positiva e depois de revigorar, energizar e vitalizar os chakras (centros de energia, que acumulam prana), sai pela narina esquerda, naddi ida. A corrente negativa faz o movimento inverso, entra pela narina esquerda e sai pela narina direita. 

Não há dúvidas de que a prática do Yoga ajuda na melhoria do desempenho físico e mental para seus praticantes. Equilibra o sistema autônomo, e a partir disso auxilia no combate ao estresse e a depressão.  

Outro estudo publicado em janeiro de 2021 pela revista suíça Sports de autoria de Suzuki e Hayashida (2021) discutiu os efeitos dos exercícios de baixa intensidade e curta duração na melhoria da função imunológica e na prevenção de infecções respiratórias superiores agudas. O estudo se propôs a discutir como o exercício de leve intensidade e curta/média duração, como o Yoga, pode melhorar o desempenho físico. Os autores identificaram que, apesar da prática do Yoga ser insuficiente para comprovar sua eficiência no aumento da função do sistema imunológico em comparação aos exercícios de alta intensidade e longa duração, sua prática não pode ser considerada prejudicial.

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Entre os estudos que tratam desse assunto, destaca-se o de Kotwani P. et al (2021), publicado recentemente em 2021, numa revista de medicina da saúde da família e atenção primária da Índia, cuja investigação mostrou que a recuperação e satisfação de pacientes com COVID – 19 melhoraram com a prática do Yoga, o que contribuiu para uma melhor resposta imune.

A prática do Yoga é recomendada para pessoas que desejam praticar uma atividade física, pessoas comuns, bem como para aquelas que foram acometidas pelo coronavírus e estejam voltando à prática da atividade física.  A prática do Yoga tem influência potencial na saúde física e mental, o que contribui de forma significante para a saúde global.

Possivelmente, combinar a prática de Yoga junto com outro exercício aeróbio regular de baixa/média intensidade e média/longa duração e anaeróbio lático, como por exemplo, pular corda ou caminhada, pode ser uma estratégia interessante para aumentar o desempenho físico em diferentes graus, para a melhorar a qualidade de vida e o potencial das defesas imunológicas.  

O importante é começar, devagar e no seu limite!

E é claro, orientado por um professor de Educação Física conhecedor de Yoga e da fisiologia do exercício para acompanhar seus treinos.

Bora para prática?

Esporte & Movimento
Marília Freire
Marília Freire Seguir

Graduada em Educação Física, mestre em Ciências da Motricidade e doutora em Educação.Amo natação e me sinto muito bem praticando e ministrando aulas de Yoga.

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