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Exercício pós Covid-19. O que você precisa saber.

Exercício pós Covid-19. O que você precisa saber.

Nos últimos 10 anos, quando algum cliente me perguntava sobre exercícios físicos durante a recuperação de uma doença viral como a gripe por exemplo, o meu conselho era: Escute seu corpo. Se a prática de exercícios geralmente faz você se sentir melhor, vá em frente e continue praticando.

A Covid-19 mudou a minha forma de pensar. No início da pandemia, quando as primeiras  pessoas infectadas com o Covid-19 já estavam recuperadas, foi possível notar que alguns encontravam muita dificuldade para retornar aos níveis de atividade anteriores. Os fatores que mais retardavam a retomada do condicionamento físico eram fadiga extrema e dificuldade respiratória. Por isso algumas pessoas simplesmente não conseguem voltar ao seu rendimento normal de condicionamento físico rapidamente.

Além do fato citado no parágrafo anterior, começaram aparecer muitos casos de arritmias cardíacas por miocardite, inflamação do músculo cardíaco que pode enfraquecer o coração e, em casos raros, causar parada cardíaca súbita. Outras complicações, como coágulos sanguíneos, também podem acontecer.

O que mais me surpreendeu é que esses problemas apareceram em pacientes saudáveis ​​e em boa forma, que apresentaram apenas sintomas leves e nunca foram hospitalizados.

Em dado momento durante minhas pesquisas para este artigo, me deparei com um depoimento clínico onde, uma ciclista na casa dos 40 anos com sintomas recentes de Covid-19 sentiu uma dor anormal nas pernas, o que foi suficiente para realizar um ultrassom, que mostrou a interrupção quase completa do fluxo sanguíneo devido a coágulos sanguíneos arteriais e venosos em ambas as pernas. 

Felizmente, a equipe médica detectou essa complicação rápido o bastante para que não se propagassem para os pulmões, o que poderia tê-la matado. Outro caso que me chamou a atenção foi de uma estudante universitária com Covid-19 que morreu de um coágulo no sangue que chegou em seus pulmões. A medida que a pandemia evoluiu, não se pode apenas olhar para os sintomas comuns alertados. Mas é preciso olhar para um risco muito maior como os exemplos citados acima referente a coágulos sanguíneos em pessoas que contraíram o vírus.

Mediante aos fatos expostos neste material, sabemos que o coração é uma causa particular de preocupação após a infecção por coronavírus. Um estudo do JAMA Cardiology analisou 100 homens e mulheres na Alemanha, com idade média de 49 anos, que se recuperaram do Covid-19, e encontraram sinais de miocardite em 78% deles.  A maioria era saudável, sem condições médicas pré-existentes, antes de serem infectadas. Um estudo menor com atletas universitários que se recuperaram da Covid-19 descobriu que 15% tinham sinais de inflamação no coração. Os especialistas continuam avaliando os dados relativos aos riscos cardíacos para ajudar a determinar  quando os atletas poderão voltar a jogar.

A medida que a pandemia continua, ouvimos inúmeras histórias de atletas de elite em excelentes condições físicas que lutam para recuperar seu condicionamento fisíco após Covid-19. Problemas pulmonares causados pelo coronavírus, incluindo pneumonia, causaram dificuldade para respirar durante o exercício por semanas ou meses após a infecção.

Para ajudar as pessoas a retornarem com segurança à atividade física após infecção leve ou moderada por Covid-19, algumas diretrizes exigem muito cuidado nesse retorno ao exercício físico, com base na natureza imprevisível de como o vírus afeta cada pessoa.

Primeiramente qualquer pessoa que teve uma manifestação grave ou foi hospitalizada com Covid-19 precisa consultar um médico para saber se é seguro retornar a prática de exercícios. Mas mesmo as pessoas que apresentaram sintomas leves ou foram assintomáticos precisam tomar algumas precauções antes de se exercitarem novamente. 

Para ajudar nesse dilema de exercícios pós Covid-19 segue algumas dicas impostas por uma das diretrizes:

Não fazer exercícios se não estiver completamente recuperado: Não se exercitar se tiver sintomas ativos, incluindo febre, tosse, dor no peito, falta de ar em repouso ou palpitações.

Retornar lentamente ao exercício:  Mesmo se os sintomas forem leves, sem dor no peito ou falta de ar, a recomendação é para esperar até que se complete pelo menos sete dias sem sintomas antes de retornar aos exercícios. Começar com apenas 50% da intensidade habitual.  Recomenda-se um retorno gradual e lento até que se alcance a atividade plena.

Pare o exercício se os sintomas retornarem: Se os sintomas aparecerem após o retorno dos exercícios, como por exemplo dor no peito, febre, palpitações ou falta de ar, consulte um médico.

Seria muito importante se consultar com um cardiologista antes de se fazer a retomada as atividades físicas.  Se apresentar dor no peito, falta de ar ou fadiga durante o período de quarentena do vírus, procure por um cardiologista antes de recomeçar os exercícios. Dependendo do caso o médico pode realizar um teste de inflamação do miocárdio.

Fazer o teste:  Se apresentar  sintomas de resfriado ou gripe, é importante fazer o teste de Covid-19 antes de retornar as atividades esportivas. Caso esteja na dúvida se já contraiu ou não o vírus, um teste pode ajudar os médicos a tomarem decisões sobre como retornar os exercícios com segurança.

E deixo aqui um lembrete, os médicos até podem realizar o teste, mas conhecer o próprio corpo faz toda a diferença no retorno dos exercícios. Saber como se sente normalmente quando sobe as escadas, quando corre, quando anda de bicicleta. Se já teve Covid-19, essas coisas ficam mais difíceis para se praticar. Percebe uma mudança de comportamento do corpo? Se a resposta for "sim", é importante procurar por um médico.

Mesmo que nunca tenha sido diagnosticado com Covid-19, preste atenção em como está se sentindo. Muitas pessoas com Covid-19 não sabem que a têm ou apresentam sintomas gerais como distúrbios gastrointestinais, fadiga ou dores musculares.  Então, se tem se sentido "desligado" durante o exercício, ouça o seu corpo, relaxe e procure um médico.

Covid-19 é um vírus agressivo que se espalha facilmente e carrega morbidade e mortalidade significativas.  O risco cardíaco em particular é maior com coronavírus que com outras doenças virais, portanto, faz sentido retornar à atividade com muita cautela.

 

Foto:  Ivan Samkov no Pexels.

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Thyago Arruda
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