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Exercícios em ambientes úmidos: sabe como proceder?

Exercícios em ambientes úmidos: sabe como proceder?

Nós já discutimos muito o efeito da individualidade biológica no exercício físico, mas não é fator único, pensando que temos um contexto bastante complexo. Outro fator que devemos considerar é o ambiente e as diversas nuances que apresenta, como temperatura, altitude e a umidade, que por sinal será o foco do texto de hoje!

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A umidade relativa do ar é fundamental na prescrição de treinos, pois se envolve com a hidratação de cada indivíduo, isso porque tem influência no suor, sua evaporação e consequentemente na perda (ou não) de água pelo corpo.

Antes de mais nada, devemos saber umas coisinhas para que tudo faça sentido. Podemos dissipar o calor produzido pelo metabolismo através da irradiação ou da convecção (do nosso corpo para o ambiente) abordando de maneira simplista.

Uma outra forma, talvez a mais importante, é a termorregulação através da evaporação do suor. Apenas suar não adianta nada para nosso corpo, é necessário dissipar a energia acumulada de forma que evapore o suor na superfície do corpo e assim seja possível manter a temperatura do corporal estável

Nos nossos corpos são promovidos ajustes para tentar manter a temperatura central estável. Um deles está relacionado ao sistema circulatório, que aumenta o fluxo sanguíneo para as superfícies corporais através de uma vasodilatação nestas regiões do corpo, aumentando também o fluxo sanguíneo para estas áreas. Por fim, mas não menos importante, há também um controle endócrino na tentativa de impedir-nos de desidratar. Trata-se do aumento na concentração circulante de hormônios, como a aldosterona e a vasopressina, para reter mais sais minerais e água, respectivamente.

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Em um ambiente úmido, o ar já está cheio de partículas de água, deixando-o de certa forma saturado. Com isso, há uma maior dificuldade do nosso corpo de evaporar o suor que está na superfície da nossa pele. Desta forma, temos uma maior dificuldade em termorregular nosso corpo e com isso produzimos mais suor para tentar compensar esta situação. O saldo desse cenário é um pior controle térmico do nosso corpo combinado com maior perda de água, combinação que pode levar a graves problemas, como a desidratação, por exemplo.

Ações comuns podem afetar diretamente a dissipação de calor por parte da nossa pele, como o simples fato de enxugar nosso suor. Ao fazermos isto, nós estamos impedindo nosso corpo de evaporar o suor e portanto a tendência é suar ainda mais para tentar realizar a termorregulação de maneira adequada. Além disso, a vestimenta que usamos também tem bastante influência neste processo. O ideal é que os praticantes utilizem roupas largas e que permitam a troca de calor entre o nosso corpo e o ar. Não são recomendadas roupas de borracha ou plástico, por exemplo. Outro caso se refere à troca de roupa úmida de suor para roupa seca, o que não é recomendado, uma vez que a roupa molhada favorece a troca de calor entre o corpo e o ambiente.

Com isso, se torna fundamental entendermos como devemos nos hidratar e repor sais minerais durante atividades físicas nestes ambientes. De uma forma geral, o importante é nós sermos capazes de manter nossa hidratação equilibrada, tanto pré, durante e após o exercício. Portanto, se o atleta ou aluno está em um ambiente mais quente e úmido que o normal, já deve começar a regular sua hidratação desde já e durante o exercício ela deve ser feita de maneira que não seja insuficiente, mas também não seja exagerada.

O risco da má hidratação já foi apontado, mas é válido ressaltar que água em excesso é a principal causa para a baixa concentração de sódio, e não necessariamente a perda pelo suor. A reposição de sódio é importante, mas não tanto quanto a água, pois ao mesmo tempo que uma quantidade sai no suor, o corpo consegue reter bem nos rins, pelo efeito da aldosterona.

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Fiquem atentos às condições climáticas de onde vão treinar ou prescrever treinos! Auxiliem, aconselhem e observem a hidratação de seus alunos, este é outro fator muito importante no desempenho físico!

 


Referências:

McCubbin AJ, Allanson BA, Caldwell Odgers JN, Cort MM, Costa RJS, Cox GR, Crawshay ST, Desbrow B, Freney EG, Gaskell SK, Hughes D, Irwin C, Jay O, Lalor BJ, Ross MLR, Shaw G, Périard JD, Burke LM. Sports Dietitians Australia Position Statement: Nutrition for Exercise in Hot Environments. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2020 Jan 1;30(1):83-98. doi: 10.1123/ijsnem.2019-0300. PMID: 31891914.

McArdle, William D., Frank I. Katch, and Victor L. Katch. Fisiologia do exercício. Wolters Kluwer Health, 2015.

 

Esporte & Movimento
João Marcelo Garcez Ribeiro
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