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HIIT ou Aeróbio Contínuo: você sabe o que seu aluno prefere?

HIIT ou Aeróbio Contínuo: você sabe o que seu aluno prefere?

Existem muitos tipos de treinamento aeróbio e muitos jargões no meio fitness com relação a eles: “aeróbio em jejum”, “aej”, “cardio de hoje tá pago”, entre outros. O HIIT (High Intensity Interval Training - ou Treinamento Intervalado de Alta Intensidade) não é necessariamente um jargão, mas um tipo de treino que se popularizou nos últimos anos e opõe em alguns quesitos em relação ao treino Aeróbio Contínuo - a famosa “corridinha” na esteira ou no bairro. Mas a realidade é que eles não são tão diferentes assim quando se trata de benefícios proporcionados ao praticante.

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O HIIT - como o próprio nome já diz - pode ser descrito como um treinamento intenso composto por tiros de 80 a 90% da Frequência Cardíaca máxima (FCmáx), que são alternados com intervalos de menor intensidade - algo por volta de 50% da FCmáx. Os períodos mais intensos podem ser de 20 segundos a 1 minuto e os “descansos” podem ter duração semelhante ou maior à dos períodos mais intensos.

Uma característica muito marcante do HIIT é que ele é um treino curto e, devido à fugacidade do tempo e à agitada rotina moderna, as pessoas acabam optando por alternativas de menor duração do que propriamente a que faz mais sentido para o atual condicionamento de cada um. Dessa forma, o HIIT pode ser contraindicado (lembrando que “contraindicação” é diferente de “proibição radical e eterna”) a fumantes; cardiopatas; pessoas com condicionamento ruim ou que estão há muito tempo sedentárias; indivíduos com sobrepeso etc. 

O fato é que, via de regra, o HIIT gera um impacto grande nas articulações e um estímulo cardiovascular considerável, o que deve ser sopesado quando na prescrição de treinamento tendo em vista as restrições do aluno.

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Por outro lado, o treinamento Aeróbio Contínuo é caracterizado por ser um treino “regular”: a intensidade de 50 a 80% FCmáx se mantém durante todo o exercício e não há picos nem tiros curtos, mas sim uma intensidade praticamente constante do início ao fim da atividade. Porém, esse tipo de treino leva mais tempo (30 minutos a 1 hora em média) e pode ser considerado mais “chato” ou monótono para algumas pessoas. 

Quanto aos grupos com os quais se deve ter maior atenção para esse tipo de atividade, estão cardiopatas, que devem adotar o treino aeróbio contínuo em menores intensidades, e pessoas em condição de obesidade, às quais recomenda-se procurar - pelo menos em um primeiro momento - outras alternativas de treino aeróbio com menos impacto (natação, por exemplo).

Com base no exposto, percebe-se que há muitas diferenças entre ambos os tipos de treino, mas, em termos de benefícios e adaptações geradas, eles são mais semelhantes do que parecem. Ambos promovem:

  • Incremento da aptidão aeróbia do indivíduo;

  • Melhoras nos índices de colesterol, pressão arterial, glicemia etc;

  • Perda de peso (predominantemente no HIIT e interessantemente também após o treino).

E é justamente por conta do último ponto (e do imediatismo contemporâneo) que muitos preferem o HIIT - além do fato já mencionado de que é um treino mais curto e mais fácil de ser encaixado na rotina. Mas nem sempre ele é o tipo de treino mais adequado ao aluno e a seus gostos.

Mas agora a pergunta é: sabendo que ambos os tipos de treino possuem características diferentes e efeitos de certa forma semelhantes, qual o papel do profissional de Educação Física nesse contexto? É orientar o aluno de forma embasada, segura, que transmita confiança, que leve em consideração a condição física do aluno e também que entenda as preferências, gostos, anseios, objetivos e metas do indivíduo. 

É na intersecção desses fatores que o aluno se sentirá motivado, o professor amparado cientificamente, a saúde do praticante menos exposta e os resultados consistentes possuirão maiores chances de acontecer.

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O aluno pode odiar o treino Aeróbio Contínuo, mas talvez não tenha condições de praticar o HIIT a contento. Ou pode não se identificar com o HIIT por provocar uma percepção subjetiva de esforço maior, porém não ter tempo de encaixar o Aeróbio Contínuo na semana de forma sustentável.

Não adianta seu aluno não ter nenhuma restrição quanto à prática do HIIT, mas preferir o treino Aeróbio Contínuo ou vice-versa - chances são dele não continuar praticando exercício por muito tempo. E é nessa hora que o profissional deve entrar com o conhecimento teórico e com alternativas a fim de solucionar o problema e fazer com que o aluno atinja seus objetivos a longo prazo.

Portanto, por mais que HIIT e Aeróbio Contínuo sejam alternativas diferentes com benefícios semelhantes, o fato é que quando as duas partes (tanto aluno quanto professor) contribuem mutuamente, o processo é muito mais coerente, motivador e seguro independentemente do tipo de treino - e cabe ao profissional de Educação Física promover tal intercâmbio para que a estratégia seja definida da melhor forma possível.

E você? Como tem contribuído para entender seu aluno e ajudá-lo a atingir seus objetivos?


Referências


Thiago Augusto Primon Girardi

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