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LACTATO – O MELHOR AMIGO DO MTB (mountain bike)

LACTATO – O MELHOR AMIGO DO MTB (mountain bike)

Uma das principais características do esporte e do exercício físico é o dinamismo, que por consequência, também é característica da ciência do movimento e do treinamento — que evoluiu em uma velocidade surpreendente nas últimas décadas. No entanto, o conhecimento popular e suas “lendas” ainda podem dar sinais quando o assunto é Fisiologia do Esforço.

Um exemplo é o famoso lactato ou ácido lático, que popularmente ainda é considerado um dos limitantes do esforço físico — situação muito comentada nas comunidades do Mountain Bike (MTB).

É comum ouvir no fim das subidas mais íngremes ou dos sprints de chegada que as pernas estão “queimando” e que o lactato, por ser um ácido, aumentou e prejudicou a continuidade desse esforço intenso. No entanto, há décadas que a ciência e seu dinamismo provam o contrário.

Vamos entender porque o Lactato não é um vilão e sim o parceiro e amigo do MTB e dos esporte, em geral:

Primeiramente, é necessário lembrar que precisamos de ATP (Adenosina Trifosfato) para realizar a contração muscular — nossa “moeda energética”. Essa moeda é produzida em maior quantidade e rapidez no metabolismo anaeróbio lático, que tem como substrato a glicose, que vem do glicogênio armazenado no músculo e no fígado. Esse metabolismo acontece praticamente a todo o momento e principalmente quando aumentamos a intensidade do exercício em atividades com mais de 15 segundos. Um exemplo prático de quando isso acontece é quando hiperventilamos durante aquele esforço nas subidas e sprints.

Em conjunto com o ATP, esse sistema de glicólise anaeróbia produz nosso personagem: o lactato. Percebam como o organismo é esperto: ao mesmo tempo em que gastamos mais energia por aumentar o nível de esforço, produzimos ATP de forma mais acelerada e consequentemente, mais lactato.

A esperteza do organismo vai muito além. Ao cair na corrente sanguínea, o lactato entra no fígado e é reconvertido em glicose. Se continuarmos fazendo exercício de alta intensidade, o que acontece em alguns momentos da prática do MTB (mountain bike), o fígado libera essa glicose para que o músculo reutilize como substrato, alimentando novamente o metabolismo anaeróbio lático, produzindo então ATP (nossa moeda energética) e lactato.

Assim, garantimos a continuidade das ações musculares no nosso exercício, ou melhor, na nossa “pedalada” em um ciclo muito interessante e inteligente. Agora, se ficarmos em repouso, o fígado armazena essa glicose advinda do lactato em glicogênio, estocando e garantindo energia para outro dia ou exercício.

A fadiga e a dor muscular que ainda se credita ao lactato, ocorre, na verdade, por acúmulo de hidrogênio e fosfato inorgânico e alterações do PH celular.

Portanto, o lactato é um elemento essencial para a produção de energia durante a prática de MTB e não gerador de fadiga — como é conhecido e temido entre os praticantes. A sensação de fadiga é um fator decorrente de outras reações bioquímicas, e não do lactato.

Salve o ácido lático, o nosso parceiro no MTB e em vários outros esportes! 🚵🚵‍♀️

Esporte & Movimento
Rogerio Meireles Franco
Rogerio Meireles Franco Seguir

Sou amante do Esporte, da vida em movimento e da natureza. Profissional generalista da área de educação física. Compartilho e aplico conhecimento baseado na ciência e experiência prática de 28 anos de atuação!

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