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Lesão no joelho: como voltar em alto nível?

Lesão no joelho: como voltar em alto nível?

No futebol uma das lesões que mais atormenta os jogadores são aquelas em que há o rompimento de algum dos ligamentos do joelho. Isso porque é uma lesão que no melhor dos casos leva cerca de dois meses de recuperação e pode chegar a sete, oito meses.

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Além disso, o desafio para os jogadores é mais do que apenas conseguir realizar os movimentos igualmente antes da lesão, mas é ter a confiança para executá-los da maneira que o esporte de alto rendimento exige. Então vamos ver como pode ser feito treinamento para auxiliar na recuperação deste tipo de lesão?

Primeiramente fazendo uma análise sobre a incidência de lesões, estudos no campeonato italiano mostram que uma maior sequência de jogos aumentava a incidência de lesões no joelho, sendo que a maior incidência ao longo das temporadas se dava nos períodos com mais partidas acumuladas, além de que as melhores equipes, que participavam de competições continentais, também apresentavam maior incidência de lesões.

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Inicialmente, com relação ao tempo de recuperação, é um senso comum que o rompimento do ligamento cruzado anterior exige seis meses de recuperação, levando em conta período de descanso total e um aumento progressivo na amplitude de movimento a partir de doze semanas, em média. Porém, vários estudos mostram que a adoção de um tratamento acelerado não causa mais dores no indivíduo e apresenta melhorias semelhantes ao tratamento convencional.

Além disso, diferentes estratégias de recuperação para lesões de joelho não mostraram grandes diferenças na confiança dos atletas, seja estratégia com reconstrução imediata, com reconstrução atrasada e sem reconstrução do joelho, porém é possível ter diferenças no desempenho físico durante a reabilitação.

Um outro ponto a ser analisado é a presença ou não do treinamento de força. Alguns autores mostram que com algumas semanas após a operação podem ser incorporados alguns exercícios de força, em especial aqueles isométricos. Estudos recentes mostram que após um período de três semanas já é possível realizar exercícios que envolvem um movimento de flexão do joelho em até 90º, sendo os mais seguros exercícios de cadeia cinética fechada, como o agachamento por exemplo.

Os exercícios de cadeia cinética aberta, como a cadeira flexora, promovem ganho de força, mesmo antes da cirurgia, e consequentemente têm bons indicadores de promover um retorno à prática esportiva mais próxima da forma antes da lesão, porém é mais incerto com relação a sua segurança. É recomendado que, se a opção for por este tipo de exercícios, que sejam com pequena carga e pequena amplitude de movimento e que sejam adicionados após a sexta semana de recuperação. 

Além do treino de força, sessões de propriocepção podem ser bastante benéficas para uma melhor recuperação dos atletas, com um maior ganho de força ao longo do primeiro e segundo ano após a lesão.

Em outros estudos, avaliando a estabilidade após o período operatório, foi mostrado que pacientes treinados com exercícios de controle neuromuscular tiveram melhores índices de estabilidade e de controle da articulação. Este fator é importante, justamente porque melhorias na propriocepção ajudam a prevenir novas lesões, o que pode comprometer muito a vida dos atletas.

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A recuperação de lesões no joelho é um tema complicado para a população de uma forma geral, mas para atletas é ainda mais sensível, pela necessidade de rendimento em alto nível, no máximo de tempo possível. Sendo assim, o primeiro passo é saber quais protocolos adequados para tentar antecipar o retorno dos atletas, de maneira que se sintam mais confiantes e com menor risco de uma nova lesão.

 

Referências

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Esporte & Movimento
João Marcelo Garcez Ribeiro
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