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Maximizando Resultados: A Lei Da Supercompensação

Maximizando Resultados: A Lei Da Supercompensação

A prescrição de treinos envolve diversas variáveis, dominar cada uma delas é importante para que o personal tenha maior controle sobre o desenvolvimento do seu aluno. Um destes fatores é o descanso entre dias de treinamento, sabendo dosar quanto tempo o aluno deve ter entre uma sessão e outra. Para tal, um conceito fundamental no corpo de conhecimentos do profissional é a Lei da Supercompensação. Vamos descobrir sobre o que se trata?

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A Lei da Supercompensação mostra nada menos do que a forma com que o corpo humano responde ao treinamento e como ele se ajusta às cargas impostas.  O termo diz que após um esforço físico, haverá uma diminuição no nível energético e que com o descanso o corpo irá recompor até um nível superior ao basal antes do exercício físico. Na prática, isso significa que por um período de tempo após o treino, nós aumentamos nossas reservas de energia. Seria perfeito se esta “janela de tempo” fosse duradoura, mas a verdade é que não se mantém por muito tempo. Sendo assim, um dos motivos pela qual é importante conhecer este conceito, é que se deixarmos passar este período e os níveis energéticos voltarem àqueles níveis basais antes da sessão, nossos alunos não irão ter adaptações positivas com o treino.

O conceito de adaptação biológica aplicado ao treinamento físico

Por outro lado, se formos precipitados demais e quisermos antecipar ao máximo o retorno dos nossos alunos, podemos interferir negativamente na sua recuperação, impedindo que cheguem de volta aos níveis basais e obviamente impedindo a Supercompensação de ocorrer.

Imagine que após o treino os níveis de substratos energéticos caem drasticamente e se anteciparmos o retorno ele não volta ao estado inicial e, com uma nova sessão de treino, fazemos com que tenha um pico negativo outra vez, diminuindo cada vez mais o “basal” relativo àquela sessão, piorando as condições do indivíduo.

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É claro que a Supercompensação ocorre de maneiras distintas para diferentes pessoas, pois como diz o próprio princípio da individualidade, cada um responde de uma forma ao treinamento, cada um tem um nível de treinamento e uma composição corporal diferente, o que exige de nós muito conhecimento sobre o histórico e as características do aluno em questão. Além disso, outro fator que influencia é o tipo de treinamento que está sendo executado. Diferentes estratégias e objetivos da sessão têm diferentes efeitos no corpo e consequentemente exige tempos de recuperação distintos. Um exemplo é o treino de força, que leva entre 24 e 48 horas para recuperar totalmente, enquanto um treino de resistência anaeróbia pode levar até 96 horas para voltar aos níveis iniciais.

A Lei da Supercompensação é bem exemplificada pelo nível de glicogênio muscular, visto seu acúmulo no músculo e sua dinâmica de utilização. E como já era de se imaginar, estudos buscaram relacionar a supercompensação de glicogênio a partir da suplementação de certos compostos. Um bom exemplo é a suplementação de creatina, que de uma maneira geral se mostrou efetiva no aumento do glicogênio muscular, ou seja, pode ajudar a aumentar a amplitude desta supercompensação. Acredita-se que este processo é devido ao aumento do volume celular que permite um maior acúmulo do substrato. Apesar disso, vale ressaltar que não é benéfico uma suplementação excessiva, pois há um limite de glicogênio que o músculo esquelético consegue imaginar, sem contar possíveis outros efeitos colaterais.

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Sumarizando, é fundamental que os profissionais consigam planejar adequadamente os períodos de treino do seu aluno. Este é apenas um exemplo, um conceito que exige um mínimo de organização por parte do personal. Saber que tipo de treino pretende aplicar, quais os efeitos naquele indivíduo específico e como proceder para maximizar seus resultados com certeza vão promover melhores e maiores adaptações e todos saem ganhando!


Referências:

NELSON, ARNOLD G. et al. A supercompensação de glicogênio muscular é aumentada pela suplementação prévia de creatina. Medicina e ciência nos esportes e exercícios , v. 33, n. 7, pág. 1096-1100, 2001.

 

Esporte & Movimento
João Marcelo Garcez Ribeiro
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