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Reabilitação cardiorrespiratória e exercício físico força no COVID-19

Reabilitação cardiorrespiratória e exercício físico força no COVID-19

Devido a interferência do COVID-19, principalmente na função pulmonar e qualidade de vida dos acometidos, nossos alunos podem ter diminuição da exposição a atividade física (AVDs) e exercício físico (treino), pela menor resistência ao esforço físico e complicações pós infecção.

É importante o conhecimento acerca das debilidades que acometem, principalmente, os pulmões. Alguns exemplos são: menor capacidade de distensão e consequente maior resistência a passagem de ar; menor ventilação, menor difusão e menos troca gasosa; maior variação de pressão por causa da menor entrada de ar. Sabe se que o estresse pulmonar aumenta e maior é a probabilidade de lesão e ou aumento da inflamação pela COVID-19.

A primeira linha de entendimento é avaliar a gravidade após infecção. Inicialmente, prescrição de exercícios físicos aeróbio leve e anaeróbio (força) com menor sobrecarga e controle de sinais importantes, como alteração na FC, PAS, FR, sudorese e ou fadiga muscular e pulmonar acompanhado de dispneia. Assim, é importante readequar intensidade e nível de esforço.

Vale relembrar a importância da progressão nos protocolos desenvolvidos pelos profissionais de saúde e do movimento em acordo com a resposta do paciente durante a execução. Nós profissionais de educação física e fisioterapeutas trabalhamos juntos nesse momento. Há também importante participação de equipe multidisciplinar. 

O nível de inatividade é grande e que o exercício físico tem relação direta com melhora na redução do quadro infeccioso, inflamatório e acometimento pulmonar, como também na melhora da condição muscular global, entre outras. O programa de reabilitação com exercício aeróbio (marcha, corrida, natação, ciclismo...) com controle de variáveis e intensidade leve inicialmente é de extrema importância, assim como é o treino anaeróbio (força), visto que as estruturas musculares, seja cardiorrespiratória ou musculoesquelético, estão comprometidas e com perda de função.

Apesar do treino aeróbio realizado ser muito importante, a melhora da capacidade de resistência cardiorrespiratória, sem essas estruturas fortes o suficiente, alcançará resultados não tão expressivos. Associação da reabilitação cardiorrespiratória com o treino de força muscular global com progressão de carga e esforço são a melhor combinação.

Os resultados apresentados pelo estudo de Hoff J demonstraram que pacientes tiveram a melhora da força muscular periférica, que foi correspondente a 105%, durante o treinamento. Os pacientes obtiveram um avanço significativo de 21,5%, na capacidade vital forçada (CVF). Este estudo foi o primeiro a mostrar o progresso dos atributos da função pulmonar com treino de força desses pacientes.

Apesar de o estudo relacionar o treino de força de alta intensidade em DPOC, há semelhanças características entre grupos DPOC e COVID-19, visto que valores preditivos de função pulmonar estão baixos e alterados em ambos que após treino de força melhoraram.

Mesmo com estas descobertas, outras ainda estão por vir, como: apenas reabilitação cardiorrespiratória isolada a exercício aeróbio e respiratório ou poderiam associar ao treino de força? Controle e adequação e sistemática?  Associado ou isolado? Superioridade?

Estas e outras respostas certamente virão em breve com os próximos estudos que estão sendo feitos.

Strength Training for Patients With Chronic Obstructive Pulmonary Disease
Rev Bras Med Esporte – Vol. 14, No 3 – Mai/Jun, 2008

Hoff J, Tjonna AE, Steinshamn S, Hoydal M, Richardson RS, Helgerud J. Maximal strength training of the legs in COPD: a therapy for mechanical inefficiency. Med Sci Sports Exerc 2007; 39: 220-6.

Esporte & Movimento
Bruno Pereira de Souza Silva
Bruno Pereira de Souza Silva Seguir

Estudante de Fisioterapia, Triatleta amador apaixonado por fisiologia do exercício, reabilitação e esportes.

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